O ano era 1986. A cidade, Caxias do Sul. Provinciana cidade do Rio Grande do Sul que, naquela época, contava com uma população estimada de 260.000 habitantes. O país vinha de um contexto recente de final da ditadura militar que se encerrava no ano anterior. A população ainda bradava por eleições diretas para Presidente e tentava se adaptar novamente à um regime democrático. Tentava ser mais politizada. Os problemas sociais vivenciados eram os mesmos de hoje: corrupção, poluição, desemprego, desigualdade e injustiça social, o racismo sempre velado, além de uma inflação que ultrapassava os 500% anuais, planos econômicos fracassados, que só traziam enfraquecimento financeiro... O mundo vivia, há décadas, sob a Guerra Fria promovida pelos EUA e a então URSS.
E o que sobrava para os adolescentes da época? Trabalhar nas indústrias (iniciava-se mais cedo naqueles tempos... 14, 15 anos), estudar a noite e, nos finais de semana, se encontrar para beber e ouvir música, basicamente.
No embalo do 1º Rock in Rio, de 1985, o rock era a mania nacional e brotavam muitas bandas de diversas tendências rockeiras. Uma fração mais politizada e descontente com o sistema se identificava com o movimento e as bandas punks de grandes cidades do Brasil e do mundo que vagarosamente chegavam ao conhecimento destes jovens caxienses.
E neste cenário surge, em meados de 1987, a banda Detrito Urbano, reconhecida pioneira do punk caxiense que, com canções próprias, abordava os problemas sociais acima descritos.
Hoje entendemos que o Detrito Urbano foi mais do que música, mais do que punk, representou a luta de muita gente que se identificava e queria dizer aquilo que não conseguia exprimir na individualidade: a luta por eleições diretas, o fim da ditadura militar, o fora Sarney… Expressar para a elite caxiense, uma cidade que se sentia europeia, toda a exploração, todo o silêncio velado pelo medo no período da ditadura... Enfim, o “lado B” da cidade.
A banda, com toda a dificuldade e troca de elementos, sobreviveu até julho de 1990, e nesta obra sintetiza-se o seu trabalho entre atitudes e pensamentos. Aqueles meninos de 15, 20 anos, não tinham como dimensionar o quanto suas canções e seu estilo que movimentaram a segunda metade dos 80’s serviriam como inspiração, e que até hoje ainda reverbera no underground caxiense...
FICHA TÉCNICA
01 – Detrito Urbano (02:49)
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02 – Vampiros do Poder (03:10)
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03 – Alcoólatras (02:48)
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04 – Dia a Dia (04:53)
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05 – Homens do Amanhã (04:23)
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06 – Potência do Ano 2000 (03:40)
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07 – Vômito (02:26)
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08 – América Latrina (04:15)
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09 – INSS (02:29)
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10 – Hilário, o Punk (01:39) – bônus
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11 – Zé Sobreviveu à Guerra Nuclear (01:38) – bônus
Pensando em uma maneira de atuar na Educação de Jovens e Adultos, de
modo a contribuir com uma discussão sobre os diversos movimentos
musicais no Brasil e suas estéticas particulares, criou-se uma lista de
álbuns disponíveis no Youtube para apreciação.
É tarefa difícil a de criar uma lista de álbuns, de modo que esta playlist não
possui a pretensão de comunicar nada mais além de uma visão da História
Fonográfica Brasileira a partir do entendimento do curador sobre estes
movimentos. É, portanto, apenas uma opinião.
Também buscou-se proporcionar a experiência da audição de álbuns
completos. Álbuns importantes podem ter ficado de fora pelo fato de não
estarem disponíveis neste formato nas plataformas utilizadas: LastFM, Spotify e Youtube.
PENSAFONE: um instrumento digital de baixo custo para Educação Musical
Gilberto André Borges
Há tempos não escrevo sobre pesquisas e inquietações de campo de trabalho por absoluta falta de tempo. Enquanto professor da Educação Básica, considerando este nível como sendo imbuído de tarefas de ensino, mais do que disponibiliza carga horária ao docente que possa dedicar à pesquisa ou alguma outra atividade acadêmica, pois que, atuando na Educação de Jovens e Adultos, ainda em 2019, fui convidado a participar, pela Diretoria de Educação de Jovens e Adultos, da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis, do projeto Juventude Maker, parceria desta rede com o Sebrae. O projeto objetiva desenvolver a chamada cultura Maker que baseia-se na ideia de que as pessoas podem buscar soluções inovadoras e criativas, com o uso de ferramentas apropriadas, para automação de tarefas e desenvolvimento de objetos e tecnologias.
O desenvolvimento tecnológico possibilitado desde o surgimento dos equipamentos de processamento de dados e de acesso à rede mundial de computadores, a partir da segunda metade do século XX, viabiliza um cenário de efervescência para o desenvolvimento de projetos. Ferramentas baseadas em tecnologias contemporâneas, como o Arduino, impressoras 3D e equipamentos a laser, entre outros, descortinam um universo gigantesco de possibilidades à inovação.
Pois que, iniciado o projeto, imbuí-me da tarefa de desenvolver um instrumento que houvesse proveito à Educação Musical. Tamanha tarefa demanda tempo e dedicação à pesquisa, pelo menos àquela orientada ao entendimento dos aspectos musicais, pedagógicos e técnicos que obrigatoriamente se encontram envolvidos.
Dos aspectos musicais, podemos dizer que encontraremos os de cunho expressivo e artístico bem como os relacionados às questões pedagógicas e de cunho metodológico, pertinentes a área da Educação Musical. Quanto aos aspectos técnicos necessários, foi possível conhecer nas aulas do curso Juventude Maker, os princípios básicos que envolvem a construção de um circuito elétrico, o uso do Arduino e seu ambiente de desenvolvimento, noções de projeto elétrico, impressão 3D e tópicos de programação em C++. De minha bagagem, a considerar a formação na área de Educação Musical, trazia noções de programação em diversas linguagens, alguma prática no uso de ferramentas de desenho 2D e 3D e o conhecimento da física relacionada ao som, especificamente, os do campo da ondulatória.
Música
Aspectos musicais de cunho expressivo, referem-se àqueles que envolvem desde o gesto musical até as questões de construção do tabuleiro do instrumento. Chamo de tabuleiro à carcaça do equipamento, apropriadamente desenhada para proporcionar um gesto musical fácil e rapidamente assimilável. Neste sentido, o tabuleiro foi pensado como uma estrutura deslizante por onde um slide corre de uma extremidade à outra gerando uma distância mensurável por um sensor. O gesto musical vai do grave ao agudo na proporção do afastamento em relação ao sensor.
Figura 1: Modelo 3D da Carcaça Plástica
Figura 2: Protótipo de Carcaça em papietagem
Figura 3: Protótipo de Carcaça em papietagem
Figura 4: Protótipo de Carcaça em papietagem
Figura 5: Protótipo de Carcaça em papietagem
A ideia inicial era a de que seria possível realizar o movimento apenas com as mãos, como ao tocar uma harpa invisível ou algum devaneio neste sentido. Mas impôs-se a necessidade de precisão e, no uso do slide, obteve-se a melhor solução, ainda que insuficiente.
O slide, embora tenha melhorado significativamente a precisão da altura, não foi eficiente na definição da duração do som, o que foi resolvido acrescentando-se um botão de acionamento do sensor. Outros aspectos musicais, como a intensidade e o timbre também mereceram atenção. Melhorou-se muito o timbre com a troca de um buzzer, utilizado inicialmente no projeto, por um circuito amplificador e alto-falantes. Com isso, a onda gerada nas portas digitais do Arduino passou a ser reproduzida com uma melhor qualidade.
No tocante à intensidade, a placa amplificadora oferece a possibilidade de controle deste parâmetro. Optou-se por não utilizar o controle de amplitude no protótipo que desenvolvemos, pois isso acrescentaria outro elemento a ser controlado pelo executante, em prejuízo da tocabilidade. Nada impede que isso seja feito e possivelmente acrescentaremos este controle, mas o resultado obtido será um instrumento um pouco mais complexo do que este que nos propomos a oferecer, sobretudo aos estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Também os estudantes de qualquer faixa etária que manifestem pouca prática musical serão beneficiados. Assim, a habilidade requerida para tocar o instrumento limita-se ao deslizamento horizontal do slide e o pressionamento de um botão que assume a função rítmica.
Na maneira como foi construído, o aparelho possibilita a composição de músicas, sendo fácil a transferência dos dados lidos pelo sensor a qualquer formato digital de armazenamento de música, seja pelo emprego do protocolo MIDI ou de marcação XML. Quanto a gravação, é possível exportar áudio diretamente, tanto na saída física do amplificador, quanto interceptar o sinal RAW gerado nos pinos digitais do Arduino. Musicalmente, trata-se de um instrumento melódico e cromático, que permite articulações ligadas ou destacadas. Também pode ser facilmente convertido para interface de controle apenas modificando-se o software. Com isso, as possibilidades de aplicação musical torna-se ainda maior.
Aplicação pedagógica
Imaginar um instrumento pedagógico musical digital utilizável em sala de aula permeia observar diversas variáveis que encontram-se presentes no panorama da Educação Musical escolar. A disciplina Música enfrenta diversos desafios no âmbito da escola pública no Brasil. Desde o descumprimento da obrigatoriedade legal da oferta da disciplina por parte de Estados e Municípios até as diferenças de implementação nos poucos locais onde ela é oferecida.
Os desafios são hercúleos: o professor de Música na escola pública, via de regra, lida com a falta de materiais específicos para a disciplina, inexistência, na grande maioria dos casos, de espaços físicos adequados para a prática musical, inadequação entre carga horária e número de alunos por turmas, bem como o total desconhecimento por parte de pais, gestores e diretores escolares das particularidades inerentes à musicalização e ao desenvolvimento da musicalidade.
Um outro problema que atinge a educação no Brasil é o da ausência de políticas públicas que garantam o acesso
aos estudantes aos materiais pedagógicos que necessitam para o seu desenvolvimento escolar. O Estado brasileiro omite-se na oferta destes materiais e, por outro lado,
as famílias brasileiras não conseguem custear acesso à Internet, equipamentos digitais de processamento de dados, bem como aos instrumentos musicais e
científicos aos alunos. Esse papel deve ser cumprido pelo Estado e deveria ser prioritário na execução de uma educação pública, laica, gratuita e de qualidade, pela qual todos pagamos com nossos impostos.
Assim, um instrumento digital deve, primeiramente, oferecer a possibilidade de compor, tocar e gravar. Também precisa ser de fácil
execução, de modo que possa ser útil desde os anos iniciais do Ensino Fundamental até os anos finais e na Educação de Jovens e Adultos. Além disso, deve oferecer a possibilidade de integração com qualquer outro equipamento eletrônico digital ou analógico, bem
como poder exportar dados utilizáveis e integráveis em outras aplicações e softwares.
A considerar a dualidade do ensino no Brasil, onde observa-se a olhos nus a existência de uma escola para os ricos e outra para os pobres, deve-se pensar, obrigatoriamente, um instrumento para a escola pública em toda a sua precariedade e ausência de investimentos. Assim, o instrumento deve considerar ser útil em salas superlotadas onde, não raro, infelizmente, encontramos mais de 40 alunos e uma ou nenhuma tomada elétrica funcionando no local. Deve considerar as APP’s falidas, sem dinheiro para comprar pilhas ou baterias para abastecer um número grande de instrumentos. Também precisa tomar por variável obrigatória, lamentavelmente, as dificuldades de acesso à rede mundial de computadores e a precariedade dos equipamentos para este fim existentes nas escolas públicas. Neste sentido, imaginamos, desde o início dos trabalhos, um instrumento portátil, de uso individual e abastecido por células
fotovoltaicas.
O Arduino pode ser alimentado por diversas fontes, desde uma saída USB de computadores e celulares, até adaptadores específicos
para rede elétrica ou pilhas e baterias. Dentre estas possibilidades está a de usar-se um carregador fotovoltaico, vendido em qualquer loja de equipamentos eletrônicos e que possua uma saída USB de 5 volts. Recomenda-se o fornecimento de corrente por saídas USB da placa do computador que está rodando a IDE do Arduino durante o desenvolvimento do protótipo. Para utilizar um carregador fotovoltaico, nos certificamos de que a corrente elétrica fornecida fosse compatível com a alimentação do Arduino. O carregador, inclusive, possui uma bateria interna, o que garante uma autonomia de algumas horas de uso ao instrumento. Durante o dia, estará sempre armazenando energia, mesmo que fornecendo corrente ao aparelho.
Um outro elemento importante quando mencionamos políticas públicas refere-se ao financiamento público. Discutir política pública é discutir dinheiro público. Deste modo, o equipamento deve ter baixo custo de produção. Utilizamos na construção do protótipo um Arduino UNO, mas o projeto pode ser implementado com um Arduino NANO. Abaixo, uma demonstração dos custos em valores de dezembro de
2020:
Arduino Nano
35,00
Sensor Ultrassônico HC-SR04
20,00
Circuito Amplificador DS-LM386
13,00
Alto-falante de 4pol 12w
10,00
TOTAL
78,00
É preciso considerar que estes preços sofreram arredondamento para mais e que constituem uma média dos preços praticados ao consumidor no varejo pesquisados na Internet. Também devemos apontar que, um carregador solar USB com bateria acoplada custa, na mesma lógica de busca de preços, a parir de 50 reais, considerando-se a multiplicidade de modelos. Também devemos ponderar que o custo apresentado acima refere-se ao custo do protótipo. Este está muito além do custo alcançável em um processo de produção em larga escala.
Técnica
Disponibilizamos, ao final deste artigo, íntegra do código fonte e esquemas de montagem do projeto, bem como os links de acesso aos projetos relacionados no Tinkercad. Também registramos alguns vídeos e fotos do processo que podem ser acessados. Adiantamos que os requisitos para montagem do equipamento são elementares do ponto de vista da prototipagem com Arduino: saber manusear a protoboard, efetuar as ligações e montar um tabuleiro. O tabuleiro pode ser impresso a um baixo custo, mas também pode ser confeccionado em outros materiais.
De regra, a leitura de distância efetuada pelo sensor é mais eficiente em materiais com maior rigidez mecânica. Construímos um protótipo com papietagem sobre uma base de papelão. É importante considerar que o papel absorve parte da onda que recebe, por isso, envolvemos o slide em papel-alumínio. Os materiais necessários para construir a carcaça do protótipo foram: papelão, papel para papietar, cola, tesoura, e estilete. A montagem requereu um Arduino UNO, protoboard, cabos de ligação, um botão de acionamento, uma placa amplificadora DS-LM386, um sensor ultrassônico HC-SR04 e um alto-falante que foi aproveitado de um antigo receptor a pilhas, que foi desmontado, sendo a sua carcaça aproveitada como caixa acústica.
Links
Vídeos
Canal Gilblack - Construção do Pensafone
Desenho de circuito no Tinkercad: Pensafone. Um instrumento musical digital para Educação Musical
Olá, pessoal. Tudo bem? Vamos falar um pouquinho
sobre a utilização de conteúdo de terceiros nas nossas pesquisas e
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computadores é protegido por direitos autorais. As indústrias de
software e de entretenimento, principalmente, não se cansam de deixar à
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"Direito autoral ou direito de autor é
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jurídica criadora da obra intelectual, para que ela possa usufruir de
quaisquer benefícios morais e patrimoniais resultantes da exploração de
suas criações. É derivado dos direitos individuais e situa-se como um
elemento híbrido, especial e autônomo dentro do direito civil.
Para efeitos legais, divide-se em direitos morais e
patrimoniais: os direitos morais asseguram a autoria da criação ao autor
da obra intelectual e são intransferíveis e irrenunciáveis. Já os
direitos patrimoniais se referem principalmente à utilização econômica
da obra intelectual, podendo ser transferidos e/ou cedidos a outras
pessoas. A transferência dos direitos patrimoniais se dá por meio de
licenciamento e/ou cessão."
Os direitos autorais,no Brasil, são regulamentados
pela lei 9.610/98 e no mundo por convenções e acordos internacionais. Na
prática, qualquer pessoa que publique uma obra intelectual, seja ela de
qualquer natureza, como por exemplo, criações originais literárias,
artísticas ou técnicas, possui os direitos de autor assegurados
independentemente de registro em órgãos competentes. Desta forma, ao
realizar trabalhos, sejam escolares ou de outra natureza, precisamos
estar atentos ao tipo de licença que o material que estamos usando
possui. Existem uma gama de licenças que vão desde as mais restritivas,
que impedem o uso da obra ou mesmo de parte dela, até licenças que
possibilitam um uso
irrestrito do conteúdo. O uso de uma obra já existente na produção de
outra, chamamos de derivação e a produção
resultante de obra derivada.
O uso de citações de textos com direitos autorais
reservados em trabalhos acadêmicos ou escolares está bem
definido em regras de citação e de referenciamento de fontes, pela ABNT –
Associação Brasileira de Normas Técnicas. Desta maneira, para utilizar
pequenas partes de um texto basta seguir as orientações dadas pelos seus
professores no tocante à pesquisa e a produção textual e você não terá
problemas, seja o conteúdo proveniente de livros ou de endereços na
Internet. O problema maior surge, quando se faz necessário empregar um
livro inteiro, uma fotografia, uma música ou um vídeo. Quando não houver
nenhuma indicação sobre licenciamento, valem as regras
estabelecidas na lei 9.610/98, que determinam a proibição do uso do
conteúdo sem autorização expressa do autor. Isto acontece porque a
pessoa que infringe esta lei pode ser processada e pagar até pesadas
multas indenizatórias, dependendo da gravidade de cada caso. Algumas
ações por uso indevido de obras protegidas atingem cifras milionárias,
calculando-se o prejuízo moral e patrimonial causado ao autor.
Assim, para utilizarmos um conteúdo sem receio quanto
a autorização legal, precisamos observar o que o material indica como
licenciamento. Veja o exemplo abaixo, extraído de um livro:
fonte: FRANK, Anne. O diário de Anne Frank. São Paulo: Novo Século Editora, 2019.
Observem o uso da palavra inglesa copyright
logo na terceira linha da página. Esta palavra indica que todos os
direitos referentes a esta obra estão reservados e que você somente
poderá usar este conteúdo com a autorização expressa dos detentores dos
direitos autorais. Esta
licença é representada pelo símbolo contendo a letra C dentro de um
círculo:
Porém, o direito autoral possui um dispositivo que
estabelece um prazo, depois do qual ele deixa de valer. Quando isto
acontece, dizemos que
a obra “caiu em domínio público”. No Brasil, o período pelo qual a lei
protege e reserva os direitos aos autores vai desde a publicaçã0 até 70
anos depois da sua data de falecimento. Cumprido este prazo, as obras
podem ser utilizadas sem a necessidade de autorização ou pagamentos.
Aqui na Eja Centro I, muitas vezes, produzimos
vídeos, áudios ou outros materiais que podem acabar divulgados na rede
mundial de computadores. A socialização final das nossas pesquisas não
precisa ser, necessariamente, feita por meio de textos. As pesquisas que
efetuamos podem resultar em produções culturais de diversos formatos,
como vídeos, gravações de áudio, podcast, cartilhas, folders,
entre outros. Precisamos levar em consideração que este material poderá
circular para muito além do nosso núcleo. Assim, quando inserimos uma
música em um vídeo, ou uma foto em uma página na Internet ou em uma
cartilha, é preciso ter certeza de que não estamos infringindo os
direitos de outras pessoas. Esta preocupação também é válida para o
conteúdo inédito produzido no núcleo. Não raro, colegas nossos compõem
músicas, desenham, criam obras visuais ou textuais inéditas, publicam
livros, gravam músicas, entregam cartilhas ou efetuam campanhas
diversas, produzem vídeos, peças teatrais, entre outros. Então, é uma
preocupação de
mão dupla, em nossos trabalhos.
Para tornar possível o trabalho criativo com ,materiais contemporâneos, precisamos lançar mão das chamadas licenças
livres. As licenças livres para conteúdo digital surgiram na esteira do chamado movimento do Software Livre, criado a partir de 1983, por um cidadão estadunidense chamado Richard Stallman. Stallman foi o fundador da Free Software Foundation.
Esta organização, sem fins lucrativos, mantém o projeto GNU, que busca
viabilizar um sistema operacional livre para uso de todos. Em 1991, um
importante passo neste sentido foi dado por outra pessoa. Um finlandês
chamado Linus Torvald desenvolveu um núcleo (kernel, em inglês) capaz de fornecer a tradução dos comandos contidos em aplicativos
para a linguagem compreensível pelas máquinas. Torvald desenvolveu o chamado kernel LINUX. Da junção entre o projeto GNU e o núcleo
desenvolvido por Linus Torvald, nasceu o sistema operacional GNU Linux.
A licença criada pela Free Software Foundation chama-se GNU General Public License, ou, como é mais conhecida, GNU GPL. Esta licença, atualmente, encontra-se na versão 3.0 e assegura, basicamente, quatro liberdades aos usuários:
- a liberdade de executar o programa como você desejar, para qualquer propósito;
- a liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo às suas necessidades (para isto ser possível, o acesso
ao código-fonte é um pré-requisito indispensável);
- a liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar outros;
- a liberdade de distribuir cópias de suas versões modificadas a outros, beneficiando toda a comunidade.
Para garantir estas liberdades, todo o conteúdo a ser
distribuído, modificado ou não pelo usuário, somente poderá
ser licenciado com a mesma licença GNU GPL. Assim, não é possível
utilizar um conteúdo livre e transformá-lo em conteúdo de direito
reservado. A licença GNU GPL é válida em todo o mundo, porque trata-se
de um licenciamento declarativo, validado por uma prática social,
especificamente voltada para a indústria de software. Para o compartilhamento de conteúdo intelectual, a licença mais utilizada e difundida chama-se Creative Commons.
"Creative Commons é uma organização não governamental sem fins lucrativos localizada em Mountain View, na California,
voltada a expandir a quantidade de obras criativas disponíveis, através
de suas licenças que permitem a cópia e compartilhamento com menos
restrições que o tradicional todos direitos reservados. Para esse fim, a
organização criou diversas licenças, conhecidas como licenças Creative Commons."
As licenças Creative Commons são representadas por símbolos que também definem quais liberdades os usuários poderão usufruir:
Cada símbolo representa um conjunto de significados:
- CC (Creative Commons) -> indica que a licença usada é Creative Commons;
- BY (Atribuição) -> significa que você
deve dar os devidos créditos ao autor ou responsável pela obra, devendo
inclusive fornecer um link para a licença e indicar se realizou
alterações no material;
- ND (Sem Derivações) -> você até pode criar obras derivadas a partir do material original, mas não distribuí-las;
- NC (Não Comercial) -> você pode usar o material, mas não para fins comerciais;
- SA (Compartilha Igual) -> se você criar obras derivadas, terá que distribuí-las sob a mesma licença usada na obra original.
PRETTO,Nelson de Luca; SILVEIRA, Sérgio Amadeu da (org.). Além das redes de colaboração: internet, diversidade
cultural e tecnologias do poder. Salvador: EDUFBA, 2008.
SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Software Livre. A luta pela liberdade do conhecimento. São Paulo: Perseu Abramo, 2004.
Em mais um lançamento do selo Disco de Cordel, o sexto álbum de Gilblack, lançado em 2020, constitui o primeiro álbum de pandemia do artista. Das doze faixas do álbum, nove foram produzidas durante a chamada primeira onda de COVID19 no Brasil. Neste período, durante o isolamento, as faixas foram inspiradas na literatura, a partir de um podcast também produzido pelo artista para o seu trabalho na área da Educação. Assim, em meio a tempos sombrios, buscava-se uma luz na neblina dos fatos. Um olhar para dentro de si, procurando um candeeiro a iluminar, pela música, poesia e literatura, os tempos de distanciamento social.
Este álbum está disponível aqui para download e também pode ser ouvido nas principais plataformas de streaming. Também pode ser adquirido e ouvido no Bandcamp.