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domingo, 4 de abril de 2021

Produção de trabalhos com uso de mídias de terceiros - EJA Centro I

Olá, pessoal. Tudo bem? Vamos falar um pouquinho sobre a utilização de conteúdo de terceiros nas nossas pesquisas e produções? Sabemos que todo conteúdo disponibilizado na rede mundial de computadores é protegido por direitos autorais. As indústrias de software e de entretenimento, principalmente, não se cansam de deixar à vista, na cara do usuário que aquele aplicativo de celular ou determinado filme ou música possui aquilo que chamamos direitos reservados.

 

 

"Direito autoral ou direito de autor é um conjunto de prerrogativas conferidas por lei à pessoa física ou jurídica criadora da obra intelectual, para que ela possa usufruir de quaisquer benefícios morais e patrimoniais resultantes da exploração de suas criações. É derivado dos direitos individuais e situa-se como um elemento híbrido, especial e autônomo dentro do direito civil.

 

Para efeitos legais, divide-se em direitos morais e patrimoniais: os direitos morais asseguram a autoria da criação ao autor da obra intelectual e são intransferíveis e irrenunciáveis. Já os direitos patrimoniais se referem principalmente à utilização econômica da obra intelectual, podendo ser transferidos e/ou cedidos a outras pessoas. A transferência dos direitos patrimoniais se dá por meio de licenciamento e/ou cessão."

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_autoral

 

 

Os direitos autorais,no Brasil, são regulamentados pela lei 9.610/98 e no mundo por convenções e acordos internacionais. Na prática, qualquer pessoa que publique uma obra intelectual, seja ela de qualquer natureza, como por exemplo, criações originais literárias, artísticas ou técnicas, possui os direitos de autor assegurados independentemente de registro em órgãos competentes. Desta forma, ao realizar trabalhos, sejam escolares ou de outra natureza, precisamos estar atentos ao tipo de licença que o material que estamos usando possui. Existem uma gama de licenças que vão desde as mais restritivas, que impedem o uso da obra ou mesmo de parte dela, até licenças que possibilitam um uso irrestrito do conteúdo. O uso de uma obra já existente na produção de outra, chamamos de derivação e a produção resultante de obra derivada.

 

O uso de citações de textos com direitos autorais reservados em trabalhos acadêmicos ou escolares está bem definido em regras de citação e de referenciamento de fontes, pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Desta maneira, para utilizar pequenas partes de um texto basta seguir as orientações dadas pelos seus professores no tocante à pesquisa e a produção textual e você não terá problemas, seja o conteúdo proveniente de livros ou de endereços na Internet. O problema maior surge, quando se faz necessário empregar um livro inteiro, uma fotografia, uma música ou um vídeo. Quando não houver nenhuma indicação sobre licenciamento, valem as regras estabelecidas na lei 9.610/98, que determinam a proibição do uso do conteúdo sem autorização expressa do autor. Isto acontece porque a pessoa que infringe esta lei pode ser processada e pagar até pesadas multas indenizatórias, dependendo da gravidade de cada caso. Algumas ações por uso indevido de obras protegidas atingem cifras milionárias, calculando-se o prejuízo moral e patrimonial causado ao autor.

 

Assim, para utilizarmos um conteúdo sem receio quanto a autorização legal, precisamos observar o que o material indica como licenciamento. Veja o exemplo abaixo, extraído de um livro:

 



fonte: FRANK, Anne. O diário de Anne Frank. São Paulo: Novo Século Editora, 2019.

 

Observem o uso da palavra inglesa copyright logo na terceira linha da página. Esta palavra indica que todos os direitos referentes a esta obra estão reservados e que você somente poderá usar este conteúdo com a autorização expressa dos detentores dos direitos autorais. Esta licença é representada pelo símbolo contendo a letra C dentro de um círculo:

 

Porém, o direito autoral possui um dispositivo que estabelece um prazo, depois do qual ele deixa de valer. Quando isto acontece, dizemos que a obra “caiu em domínio público”. No Brasil, o período pelo qual a lei protege e reserva os direitos aos autores vai desde a publicaçã0 até 70 anos depois da sua data de falecimento. Cumprido este prazo, as obras podem ser utilizadas sem a necessidade de autorização ou pagamentos.

 

Aqui na Eja Centro I, muitas vezes, produzimos vídeos, áudios ou outros materiais que podem acabar divulgados na rede mundial de computadores. A socialização final das nossas pesquisas não precisa ser, necessariamente, feita por meio de textos. As pesquisas que efetuamos podem resultar em produções culturais de diversos formatos, como vídeos, gravações de áudio, podcast, cartilhas, folders, entre outros. Precisamos levar em consideração que este material poderá circular para muito além do nosso núcleo. Assim, quando inserimos uma música em um vídeo, ou uma foto em uma página na Internet ou em uma cartilha, é preciso ter certeza de que não estamos infringindo os direitos de outras pessoas. Esta preocupação também é válida para o conteúdo inédito produzido no núcleo. Não raro, colegas nossos compõem músicas, desenham, criam obras visuais ou textuais inéditas, publicam livros, gravam músicas, entregam cartilhas ou efetuam campanhas diversas, produzem vídeos, peças teatrais, entre outros. Então, é uma preocupação de mão dupla, em nossos trabalhos.

 

Para tornar possível o trabalho criativo com ,materiais contemporâneos, precisamos lançar mão das chamadas licenças livres. As licenças livres para conteúdo digital surgiram na esteira do chamado movimento do Software Livre, criado a partir de 1983, por um cidadão estadunidense chamado Richard Stallman. Stallman foi o fundador da Free Software Foundation. Esta organização, sem fins lucrativos, mantém o projeto GNU, que busca viabilizar um sistema operacional livre para uso de todos. Em 1991, um importante passo neste sentido foi dado por outra pessoa. Um finlandês chamado Linus Torvald desenvolveu um núcleo (kernel, em inglês) capaz de fornecer a tradução dos comandos contidos em aplicativos para a linguagem compreensível pelas máquinas. Torvald desenvolveu o chamado kernel LINUX. Da junção entre o projeto GNU e o núcleo desenvolvido por Linus Torvald, nasceu o sistema operacional GNU Linux.

 

A licença criada pela Free Software Foundation chama-se GNU General Public License, ou, como é mais conhecida, GNU GPL. Esta licença, atualmente, encontra-se na versão 3.0 e assegura, basicamente, quatro liberdades aos usuários:

 

- a liberdade de executar o programa como você desejar, para qualquer propósito;

- a liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo às suas necessidades (para isto ser possível, o acesso ao código-fonte é um pré-requisito indispensável);

- a liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar outros;

- a liberdade de distribuir cópias de suas versões modificadas a outros, beneficiando toda a comunidade.

 

Para garantir estas liberdades, todo o conteúdo a ser distribuído, modificado ou não pelo usuário, somente poderá ser licenciado com a mesma licença GNU GPL. Assim, não é possível utilizar um conteúdo livre e transformá-lo em conteúdo de direito reservado. A licença GNU GPL é válida em todo o mundo, porque trata-se de um licenciamento declarativo, validado por uma prática social, especificamente voltada para a indústria de software. Para o compartilhamento de conteúdo intelectual, a licença mais utilizada e difundida chama-se Creative Commons.

 

 

"Creative Commons é uma organização não governamental sem fins lucrativos localizada em Mountain View, na California, voltada a expandir a quantidade de obras criativas disponíveis, através de suas licenças que permitem a cópia e compartilhamento com menos restrições que o tradicional todos direitos reservados. Para esse fim, a organização criou diversas licenças, conhecidas como licenças Creative Commons."

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Creative_Commons

 

 

As licenças Creative Commons são representadas por símbolos que também definem quais liberdades os usuários poderão usufruir:


Cada símbolo representa um conjunto de significados:

 

- CC (Creative Commons) -> indica que a licença usada é Creative Commons;

- BY (Atribuição) -> significa que você deve dar os devidos créditos ao autor ou responsável pela obra, devendo inclusive fornecer um link para a licença e indicar se realizou alterações no material;

- ND (Sem Derivações) -> você até pode criar obras derivadas a partir do material original, mas não distribuí-las;

- NC (Não Comercial) -> você pode usar o material, mas não para fins comerciais;

- SA (Compartilha Igual) -> se você criar obras derivadas, terá que distribuí-las sob a mesma licença usada na obra original.


Prof. Gilberto André Borges

 

Para saber mais:

 

- Artigos

https://pt.wikipedia.org/wiki/Creative_Commons

https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_autoral

 

- Leis

Lei 9610/98

 

- Livros

PRETTO,Nelson de Luca; SILVEIRA, Sérgio Amadeu da (org.). Além das redes de colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias do poder. Salvador: EDUFBA, 2008.

SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Software Livre. A luta pela liberdade do conhecimento. São Paulo: Perseu Abramo, 2004.

 

- Sites

https://creativecommons.org/licenses

https://www.gnu.org/licenses/gpl-3.0.pt-br

 

Para buscar conteúdo:

 

 

- Diversos:

https://archive.org

https://search.creativecommons.org

http://www.dominiopublico.gov.br

https://commons.wikimedia.org

 

- Músicas:

https://freemusicarchive.org

https://icons8.com/music

https://www.last.fm/pt/tag/creative+commons

 

- Sons

https://freesound.org

 

- Hipertexto

https://pt.wikipedia.org/

 

sábado, 25 de maio de 2019

Artigos

Alguns escritos pelo velho blogueiro que por aqui vos comunica. Talvez interesse para alguém da Educação Musical, ou de outra área.


BORGES, Gilberto André. Tecnologias da Informação e Comunicação na formação inicial do professor de música: um estudo sobre o uso de recursos tecnológicos por estudantes de licenciatura em música no Estado de Santa Catarina. Dissertação de mestrado. Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Música. Florianópolis, 2010.

BORGES, Gilberto André. Educação Musical nas Escolas: Reflexão sobre a experiência desenvolvida juntos as escolas da Rede Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de Florianópolis. Monografia de Graduação. Florianópolis: Udesc, 2003

BORGES, Gilberto André. Jorge Antunes. Vida, obra e fontes para pesquisa. Monografia apresentada como pré-requisto parcial na disciplina História da Música no Brasil. Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Música. Florianópolis, 2008.

BORGES, Gilberto André. Discutindo fundamentos da Educação Musical. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2007

BORGES, Gilberto André. Trajetória da Educação no Brasil. Pensamento Pedagógico Brasileiro. Memorial descritivo apresentado como pré-requisto parcial na disciplina Pensamento Pedagógico Brasileiro. Universidade do Estado de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Educação e Cultura. Florianópolis, 2004

BORGES, Gilberto André. Entrevista para a Revista Música e Educação. Belo Horizonte, 2011

BORGES, Gilberto André. Avaliação formativa nos cursos de Licenciatura em Música. Anais do XIII Encontro Regional ABEMSUL, Porto Alegre, 2010

BORGES, Gilberto André. Competências e formação docente em Educação Musical. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2012

BORGES, Gilberto André. Educação Musical e política educacional. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2012

BORGES, Gilberto André. Tecnologias da Informação e Comunicação e formação docente em Educação Musical. Anais do XII Encontro Regional ABEMSUL. Itajaí, 2009

BORGES, Gilberto André. BORGES, Gilberto André. Tecnologias da Informação e Comunicação na formação inicial do professor de música: um estudo sobre o uso de recursos tecnológicos por estudantes de licenciatura em música no Estado de Santa Catarina. Anais do XIX Encontro Nacional da ABEM - Associação Brasileira de Educação Musical: Goiânia, 2010

BORGES, Gilberto André. Educação Musical no Ensino Fundamental e Canto Coral: uma reflexão a partir da experiência da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2007

BORGES, Gilberto André. A arte e seu vínculo com a história. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2006

BORGES, Gilberto André. Conteúdo e estilo na obra de arte. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2006

BORGES, Gilberto André. A arte contemporânea. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2006

BORGES, Gilberto André. Psicologia da Educação e música: possibilidades. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2006

BORGES, Gilberto André. Educação Musical Significativa. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2004

BORGES, Gilberto André. Educação Musical: Relatos da Experiência da Rede Municipal de Educação de Florianópolis. Anais do XII Encontro Nacional da ABEM - Associação Brasileira de Educação Musical: Florianópolis, 2003

BORGES, Gilberto André. Relato de experiência: o curso de gravação digital com softwares livres. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2006

BORGES, Gilberto André. Interface e interação: novos caminhos para a comunicação e a arte. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2006.

BORGES, Gilberto André. Linux e Áudio. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2006.

BORGES, Gilberto André. Levantamento de repertório jazzístico para contrabaixo elétrico. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2008

BORGES, Gilberto André. Análise do Choro nr.1 de Heitor Villa-Lobos. Florianópolis: musicaeeducacao.mus.br, 2006

quinta-feira, 8 de março de 2018

Usando as interfaces Behringer UCA200 / UCA202 / UCA222 no Linux

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As interfaces Behringer UCA 200 / 202 / 222 servem para efetuar a entrada e saída de sinal de áudio, com baixa latência, por meio de uma porta USB. Possuem uma entrada estéreo RCA e uma saída estéreo RCA. Basicamente, os três modelos são o mesmo produto e funcionam de forma análoga no Linux. Apesar desta similaridade, há algumas diferenças entre elas que detalharemos a seguir.

A interface UCA 200 não está disponível no mercado para compra. Ela acompanha as mesas Behringer da linha XENYX e serve de intermediário entre a mesa e a porta USB do micro. Este modelo não possui saída SPDIF, saída para fones de ouvido (plugue P2 estéreo) e nem controle de volume. Os modelos UCA 202 e UCA 222 diferem apenas no pacote de softwares que acompanham os produtos e possuem as saídas SPDIF e P2 estéreo e também um controle de volume. Além destes controles, os modelos UCA 202 e UCA 222 possuem uma chave liga-desliga que não está presente na UCA 200. A UCA 202 não acompanha nenhum software, enquanto a UCA 222 inclui um pacote de programas. A Behringer anuncia que a UCA 222 é compatível com PC ou MAC. Alguém precisa avisar a Behringer que todas estes três modelos de interfaces são perfeitamente suportados no Linux sem necessidade de instalar nenhum software ou drive adicional. É importante o fabricante divulgar a compatibilidade com Linux e dar suporte para a comunidade do software livre, afinal, constituímos um público que não consome software pirata e primamos pela qualidade de hardware e software.

No tocante à qualidade do áudio, estas interfaces trabalham com baixa latência, com uma taxa de amostragem máxima de 48000hz. Todos os três modelos são alimentados via USB. A única conexão com o computador é feita pela porta USB. Na entrada de áudio estéreo, deve ser conectado, por meio de cabos RCA, a fonte de entrada do som. Esta fonte pode ser uma mesa de som, um aparelho de som, um amplificador, a saída de linha de um cubo de guitarra ou baixo, um tocador de cd ou dvd; enfim, tudo que for conectável por meio de cabos RCA e possua impedância compatível com este tipo de ligação. O que quero dizer com isto é que não é possível ligar um instrumento diretamente neste tipo de interface. Mesmo que o usuário consiga contornar a questão de incompatibilidade dos conectores – RCA na interface e P10 no instrumento – por meio de adaptações, a ligação não funcionará devido à diferença de impedância. Na saída de áudio estéreo, o usuário deve conectar os monitores de referência, um aparelho de som que irá reproduzir a saída de som da interface, a entrada de um amplificador e etcétera.

Conectando-se as entradas e saídas de áudio da interface e o cabo USB no micro, estamos prontos para iniciar o trabalho. Podemos verificar se a interface foi encontrada com o seguinte comando:


user@linux:~$ lsusb Bus 001 Device 001: ID 1d6b:0002 Linux Foundation 2.0 root hub Bus 002 Device 001: ID 1d6b:0001 Linux Foundation 1.1 root hub Bus 003 Device 001: ID 1d6b:0001 Linux Foundation 1.1 root hub Bus 004 Device 002: ID 08bb:2902 Texas Instruments Japan PCM2902 Audio Codec


Podemos perceber que a interface foi encontrada. Para produzir este artigo estou usando o modelo UCA200, que foi detectado como PCM2902. O próximo passo consiste em configurar o jackd para usar a placa. Efetuamos este teste em um equipamento montado com uma placa M-Audio 1010lt e uma placa onboard HDA Intel. Utilizamos o kernel 3.2.0-32-generic-pae, rodando Debian Wheezy. Apesar de este kernel não estar preparado para baixa latência, consegue operar em tempo real, o que é suficiente em muitos casos para uma boa gravação de áudio. Para verificar as placas de áudio existentes em seu equipamento, você deve entrar com os seguintes comandos aplay -l e arecord -l. No nosso caso, o console retornou os seguintes valores:


user@linux:~$ aplay -l **** Lista de Dispositivos PLAYBACK Hardware **** placa 0: Intel [HDA Intel], dispositivo 0: ALC662 rev1 Analog [ALC662 rev1 Analog] Dispositivo secundário: 1/1 Dispositivo secundário #0: subdevice #0 placa 1: M1010LT [M Audio Delta 1010LT], dispositivo 0: ICE1712 multi [ICE1712 multi] Dispositivo secundário: 1/1 Dispositivo secundário #0: subdevice #0 placa 2: CODEC [USB Audio CODEC], dispositivo 0: USB Audio [USB Audio] Dispositivo secundário: 1/1 Dispositivo secundário #0: subdevice #0


user@linux:~$ arecord -l **** Lista de Dispositivos CAPTURE Hardware **** placa 0: Intel [HDA Intel], dispositivo 0: ALC662 rev1 Analog [ALC662 rev1 Analog] Dispositivo secundário: 1/1 Dispositivo secundário #0: subdevice #0 placa 0: Intel [HDA Intel], dispositivo 2: ALC662 rev1 Analog [ALC662 rev1 Analog] Dispositivo secundário: 1/1 Dispositivo secundário #0: subdevice #0 placa 1: M1010LT [M Audio Delta 1010LT], dispositivo 0: ICE1712 multi [ICE1712 multi] Dispositivo secundário: 1/1 Dispositivo secundário #0: subdevice #0 placa 2: CODEC [USB Audio CODEC], dispositivo 0: USB Audio [USB Audio] Dispositivo secundário: 1/1 Dispositivo secundário #0: subdevice #0


Para alterar o nível de pressão acústica de entrada e de saída da interface, o mixer mais apropriado é o alsamixer. Para acessar a interface, neste caso que estamos relatando, é preciso identificar a placa de som pois, por padrão, o comando alsamixer usado sem parâmetro algum irá abrir a primeira placa de som da lista, no caso a placa HDA Intel. Desta forma, usamos o comando alsamixer -c2. O parâmetro -c serve para selecionar a placa de som e o número 2, no nosso sistema, identifica a placa USB Audio CODEC. Na figura 1, temos a saída do comando alsamixer -c2.


Figura 1. saída do comando alsamixer -c2



Podemos perceber que esta placa somente possui controle do volume de saída. O controle de volume de captura não está disponível. Na realidade, o controle de volume de captura deve ser feito na unidade física conectada à entrada RCA da interface ou, na impossibilidade de isto ser feito, no controle de entrada do software de gravação que estaremos utilizando. A primeira alternativa é a mais recomendada, pois o sinal de áudio que entrar pela captura da placa não poderá clipar, distorcendo a gravação.

Com a placa selecionada e com o volume adequado, já é possível gravar usando o Audacity, por exemplo. Para tanto, basta abrir o programa e selecionar a placa de captura em Editar → Preferências → Dispositivos, conforme detalhamos na figura 2.


Figura 2: preferências Audacity



Para uma captura mais profissional, usando um DAW como o Ardour, por exemplo, é preciso configurar o jackd para usar esta interface de áudio. A única tarefa a ser realizada é indicar esta placa nas configurações do qjackctl. Na figura 3, apresentamos uma sugestão de configuração para o jack.


Figura 3: parâmetros do jackd



Para obter esta configuração do jackd via linha de comando os parâmetros deverão ser semelhantes aos da sequência abaixo:


/usr/bin/jackd -P20 -p1024 -t5000 -m -dalsa -dhw:2 -r48000 -p256 -n2 -s -S -H -M -Xseq


Onde os valores mais importantes são:


p: port maximum

t: timeout

r: taxa de amostragem

dhw: numero da interface de áudio


Ativando-se o jackd desta forma, é possível efetuar qualquer operação de gravação ou de modulação do som em qualquer software que se conecte ao jackd. Aproveite a flexibilidade destas interfaces, as quais podem ser levadas junto com um notebook para qualquer local e realize boas capturas. Claro, use linux sempre.


Gilberto André Borges

Mestre em Música / UDESC



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Utilizando o Wireless Mixer do Android no Linux

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Neste artigo, abordaremos os passos necessários para a utilização do Wireless Mixer do Android 4, nos aplicativos de áudio existentes para Linux. Vamos iniciar compreendendo alguns conceitos. O Wireless Mixer é um aplicativo para o sistema operacional Android, atualmente, o sistema mais utilizado em smartphones e tablets. O Wireless Mixer não mixa diretamente nenhum sinal de áudio. A sua função é controlar, por meio de sinais midi enviados por wifi, o mixer de um outro aplicativo existente no computador. O Wireless Mixer envia sinais pela rede wifi que são interpretados pelo software a ser controlado, funcionando como um controlador midi. Isto pode ser útil no comando de um DAW – Digital Audio Workstation – à distância. Mas porque isto seria útil? Bem, podemos considerar que na hora da mixagem, o operador de som poderá afastar-se dos monitores para perceber nuances de som que não são percebidas no campo próximo, como a dispersão dos graves pelo ambiente, entre outros.

O primeiro passo para utilizar o Wireless Mixer é instalá-lo no Android. A maneira mais fácil de instalar o aplicativo é por meio do GooglePlay. Você também pode baixar o software e instalá-lo manualmente seguindo o enlace abaixo:

http://play.google.com/store/apps/details?id=com.bti.wirelessMixer



Estando instalado o Wireless Mixer, o próximo passo consiste em instalar o software que vai receber o sinal do mixer e interpretá-lo para o software que estaremos usando. Trata-se do DSMIDIWIFI. Este software pode ser obtido gratuitamente com o código abaixo, que deve ser digitado em um terminal:

linux@user:~$ wget -c https://storage.googleapis.com/google-code-archive-downloads/v2/code.google.com/dsmi/dsmidiwifi-v1.01.tgz

Isto feito, deve-se descompactar o conteúdo do pacote dsmidiwifi-v1.01.tgz, com o seguinte comando:

linux@user:~$ tar -xzf ./dsmidiwifi-v1.01.tgz

O próximo passo será mover o executável para a pasta bin e lhe dar atributos de execução. Parece complicado, mas os dois comandos abaixo dão conta do recado:

linux@user:~$ sudo cp ./dsmidiwifi-v1.01/DSMIDIWiFi /usr/bin/dsmidiwifi

linux@user:~$ sudo chmod +x /usr/bin/dsmidiwifi

Você deve haver notado o comando sudo antes destes dois últimos comandos. Ele está presente, pois estas duas ações requerem poderes de administrador. Você pode executar estes comando logando como root no terminal.

Bem. O Wireless Mixer está instalado no dispositivo Android e o DSMIDIWIFI está instalado no linux. Agora, vamos utilizar como software a ser controlado o Hydrogen. Escolhemos este software pelo fato de que ele possui um sistema simples de gravação de comandos midi. Acreditamos que softwares como Ardour e Rosegarden também funcionarão, com algumas adaptações nos passos aqui descritos.

Então, vamos rodar o Wireless Mixer no Android e o Hydrogen no Linux. Primeiramente, abra o Wireless Mixer no Android. Isto feito, devemos rodar o DSMIDIWIFI antes de abrir o programa a ser controlado. Então, em um terminal, no Linux, digite o seguinte comando:

linux@user:~$ dsmidiwifi

midi2udp initialized

udp2midi initialized

As linhas midi2udp initialized e udp2midi initialized que apareceram no terminal, logo abaixo do comando, indicam que o software iniciou. Há um detalhe importante que precisa ser dito: o dispositivo Android e o computador com Linux devem estar, cada um com seu IP, logados na mesma rede wifi.

Pronto. Você já pode abrir o Hydrogen. Agora, nas configurações do Hydrogen, será necessário configurá-lo para receber e interpretar os sinais do controlador. É preciso abrir as preferências do Hydrogen e ir até a aba SISTEMA MIDI, como na figura abaixo:





Se você nunca usou o sistema de controle midi do Hydrogen, provavelmente, os valores e eventos CC estarão em branco. Para gravá-los, clique no botão de gravação do evento, este com o círculo vermelho, e clique na ação que deseja gravar lá no Wireless Mixer. Isto enviará o sinal midi para o Hydrogen. Feito isto, escolha a ação que deseja controlar com este parãmetro.

Espero que tenha sido útil e que tenha ficado claro a maneira de operar o sistema. Grande abraço.


Gilberto André Borges

Mestre em Música / UDESC

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Usando o Microfone Condensador Behringer C-1U com GNU-Linux

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O microfone Behringer C-1U possui uma placa de som integrada. Esta característica o transforma em um equipamento extremamente versátil para uso profissional ou em um home studio. Trata-se de um microfone cardioide e direcional, ou seja, deve ser direcionado à fonte sonora que pretende-se capturar. Desta forma, o microfone capta melhor o som que recebe pela sua parte frontal, diminuindo a captação de ruídos provenientes da parte traseira do equipamento. Em determinadas situações, esta característica é desejável.

Este microfone, equipado com uma membrana de 16mm, fornece uma resposta extremamente flat na captura, com uma resposta de frequência que vai de 40hz a 20khz. O nível máximo de pressão acústica chega a 136db. Para fornecer uma ideia da pressão suportada, uma placa de som profissional como a M-Audio 1010lt suporta 127db de pressão acústica. Trata-se, portanto, de um microfone de excelente resposta em termos de frequência e pressão.

A curva de resposta de frequência não é plana. Ela segue plana em 0db dos 40hz até em torno de 1khz e atinge um pico de 5db em 10khz, retornando a 0db em 20khz. O que ocorre nesta curva de resposta é um reforço das frequências de brilho típicos da voz humana e também de alguns instrumentos, como o violão, por exemplo. Podemos ver na figura 1, o gráfico da curva de resposta e o diagrama polar do microfone, extraídos do Manual de Instruções.


Figura 1. curva de resposta e diagrama polar



Este microfone deve ser conectado em uma porta USB no micro. Como já foi dito, ele possui uma placa de som integrada. Assim, dispensa o uso de placa de som, mesa de som, direct box, pré-amplificadores ou qualquer outro tipo de intermediação entre o som a ser capturado e o registro digital feito pelo DAW. Inclusive, não há como ligá-lo a uma mesa de som ou entrada de placa de som. O cabo que acompanha o aparelho possui um encaixe para o microfone em uma das extremidades e um plug USB na outra extremidade.

Compatível com o módulo ALSA USB Audio, o microfone deve ser conectado ao computador depois do boot. Não há necessidade de conectá-lo antes do boot. Inclusive, o equipamento pode ser conectado e desconectado a qualquer tempo, que o módulo ALSA correspondente será ativado e desativado corretamente.

Efetuamos o teste do microfone em um equipamento montado com uma placa M-Audio 1010lt e uma placa onboard HDA Intel. Utilizamos um kernel 2.6.28.4, rodando um sistema Debian GNU/Linux 5.0. É importante salientar que este kernel não está preparado para baixa latência, apenas para operação em tempo real. Para verificar as placas existentes em seu equipamento, você deve entrar com os seguintes comandos aplay -l e arecord -l. No nosso caso, o console retornou os seguintes valores:


user@linux:~$ aplay -l **** List of PLAYBACK Hardware Devices **** card 0: Intel [HDA Intel], device 0: ALC662 Analog [ALC662 Analog] Subdevices: 0/1 Subdevice #0: subdevice #0 card 1: M1010LT [M Audio Delta 1010LT], device 0: ICE1712 multi [ICE1712 multi] Subdevices: 1/1 Subdevice #0: subdevice #0


user@linux:~$ arecord -l **** List of CAPTURE Hardware Devices **** card 0: Intel [HDA Intel], device 0: ALC662 Analog [ALC662 Analog] Subdevices: 1/1 Subdevice #0: subdevice #0 card 1: M1010LT [M Audio Delta 1010LT], device 0: ICE1712 multi [ICE1712 multi] Subdevices: 1/1 Subdevice #0: subdevice #0 card 2: default [C-1U ], device 0: USB Audio [USB Audio] Subdevices: 0/1 Subdevice #0: subdevice #0


É importante salientar que o microfone não aparece quando entramos com o comando aplay, apenas com o comando arecord. Isto acontece por um motivo óbvio. A placa de som integrada ao microfone é apenas para captura. Não há nenhuma saída de som ou algo neste sentido. Para alterar o nível de pressão acústica de entrada do microfone, o mixer mais apropriado é o alsamixer. Para acessar a placa do microfone, no caso que estamos relatando, é preciso identificar a placa de som pois, por padrão, o comando alsamixer usado sem parâmetro algum irá abrir a primeira placa de som da lista, no caso a placa HDA Intel. Desta forma, usamos o comando alsamixer -c2. O parâmetro -c serve para selecionar a placa de som e o número 2, no nosso sistema, identifica a placa C-1U USB Audio. Na figura 2, temos a saída do comando alsamixer -c2.


Figura 2: alsamixer -c2



Com a placa selecionada e com o volume adequado, já é possível gravar usando o Audacity, por exemplo. Para tanto, basta abrir o programa e selecionar a placa de captura em Editar → Preferências → Dispositivos, conforme detalhamos na figura 3.


Figura 3: preferências do Audacity



Para uma captura mais profissional, usando um DAW como o Ardour, por exemplo, é preciso configurar o jackd para usar duas placas de som. Caso tente configurar o jackd para apenas captura, na versão que estamos utilizando (jackd 0.116.2), o sistema retornaria um erro. Na figura 4, podemos verificar a configuração adequada para o jackd.


Figura 4: parâmetros do jackd




Para obter esta configuração do jackd via linha de comando os parâmetros deverão ser semelhantes aos da seguinte sequência:


/usr/bin/jackd -v -R -p512 -t2000 -m -dalsa -r44100 -p64 -n3 -D -Chw:2,0 -Phw:0 -s -H -M


Onde os valores mais importantes são:


p: port maximum

t: timeout

r: taxa de amostragem

Chw: numero da placa de captura

Phw: numero da placa de reprodução


Ativando o jackd desta forma, é possível efetuar qualquer operação de gravação ou de modulação do som em qualquer software que se conecte ao jackd. A latência mais baixa que obtivemos foi de 4,35ms em um kernel comum. Acreditamos que com um núcleo preparado para baixa latência obteríamos valores muito mais baixos. De qualquer forma, com esta latência já seria possível realizar uma gravação profissional.

Aproveite a flexibilidade do microfone, que pode ser levado junto com um notebook para qualquer local e realize boas capturas. Posicione o microfone adequadamente utilizando o cachimbo que acompanha o produto e dê asas à sua imaginação. Dizer para usar software livre, sempre, é redundante, mas... use software e hardware livres.


Gilberto André Borges

Mestre em Música / UDESC

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Hydrogen Drumkits

A partir de gravações efetuadas em nosso home studio, montamos drumkits para o software Hydrogen. Disponibilizamos os drumkits abaixo para download.

 

 

 

 

DOWNLOADS

Drumkit com samples de bateria acústica captadas em nosso estúdio:

GilblackAcustica.h2drumkit

 

 

Drumkit com samples de bateria acústica e percussão:

GilblackAcustica.h2drumkit

 

 

Drumkit com samples de contrabaixo, sampleado nota a nota. É possível realizar loops complexos com este drumkit no Hydrogen:

GilblackCompleteBass.h2drumkit

 

 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

2015 - Professor Gilblack - EBM Osmar Cunha

O projeto foi desenvolvido nas aulas curriculares de Artes/Música em parceria com a sala informatizada, envolvendo os alunos dos 8º anos do turno vespertino da Escola Básica Municipal Osmar Cunha, no ano letivo de 2014. A proposta possibilitou o contato com a música contemporânea por meio da produção de música eletrônica. Utilizou-se um DAW - Digital Áudio Workstation, no caso, o Soundation Studio, disponibilizado virtualmente. Os alunos produziram uma composição utilizando um formulário de papel, tipo piano roll (forma visual de produção de uma composição musical), impresso pelo professor. A partir desta ideia, montaram uma música utilizando-se das trilhas criadas por eles e de sequencias pré gravadas, disponibilizados pelo software.

O segundo passo consistiu na produção de um CD para cada aluno com as composições das turmas. Para isto, cada estudante cortou uma capa em papel cartão e criou a sua própria arte. O selo foi impresso pelo professor, personalizado pelos alunos e colado aos discos. Desta forma, cada CD possui o mesmo conteúdo musical, mas as capas e os selos são únicos, resultando em uma obra comum a todos, porém disponibilizada em um suporte personalizado. A capa que acompanha este volume foi produzida pelo professor Gilberto André Borges. Todo o conteúdo deste disco foi produzido com finalidade meramente educativa e é com este olhar que deve ser observado. Não houve interferência do professor no resultado final.

 

Professores:

 

Gilberto André Borges. Mestre em Música pelo Programa de Pós-Graduação em Música (PPGMus) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Licenciado Pleno em Educação Artística com habilitação em Música pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

Emerson Raitz. Pós-Graduado em Interdisciplinaridade e Educação Inclusiva pela FUCAP. Graduado em Pedagogia e responsável pela Sala Informatizada da EBM Osmar Cunha.

 

Elementos Comuns nas Artes

Todas as artes envolvem criatividade humana, uso de materiais ou suportes específicos e processos de criação que resultam em uma obra com va...